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Bitcoin: a história de uma ideia que nasceu séculos antes de 2009

O Bitcoin vai muito além da especulação

O contexto histórico para chegar até a criação do bitcoin é muito longo. Então o bitcoin vai além de ser uma moeda que as pessoas ficam comprando agora para vender na semana que vem e ganhar 10%.

Esse investidor é apenas um especulador que não sabe o que realmente é o bitcoin. É apenas alguém que sabe que o preço varia muito, sobe ou cai demais. Diferente do investidor fundamentalista que todo bitcoin que compra ele não vende.

Isso se dá por conta da vertente chamada escola austríaca de economia. Uma das coisas que a escola austríaca sempre clamou para que existisse é algo com as características do bitcoin.

Ninguém sabia que o bitcoin surgiria, que é algo de 2009. Mas a solicitação por algo próximo ao bitcoin é de longa data, e essa é uma das premissas desse artigo.

Pretendo mostrar onde essa história começou, onde estamos agora e para onde vai essa criptomoeda.

Aristóteles e a origem da moeda

Primeiro vamos falar do contexto histórico por trás da moeda. Há muito tempo atrás Aristóteles já falava sobre economia e dinheiro. Em um dos seus livros, Aristóteles fala o seguinte sobre a moeda:

Quando os membros de uma comunidade começaram a se tornar dependentes uns dos outros e a importar bens de lugares distantes, surgiu a necessidade de um meio de troca mais prático.

Por isso, convencionou-se usar algo que fosse útil por si mesmo e fácil de manejar – como o ferro, a prata ou o ouro. Inicialmente, o valor era medido apenas pelo peso e volume, mas, mais tarde, cunharam-se moedas com um selo para facilitar as transações.

Aristóteles já falava do uso da moeda como um bem de troca comum. Antes de existir a moeda existia o escambo, algo que era difícil de acontecer porque você precisava trocar algo, onde as duas partes tenham interesse naquilo que o outro oferece.

Por isso começou-se a procurar meios de troca comum, um intermediário como o Ouro, que até hoje é aceito. O Ouro é o melhor exemplo que temos porque ele é aceito por todo mundo.

Reunindo os pensamentos de Aristóteles, apesar dele não deixar direto ao ponto, podemos identificar os fundamentos da moeda aristotélica: ela deve ser Durável, Portátil, Divisível, Uniforme, Amplamente aceita e Escassa.

Essas são as características da moeda Aristotélica, isso vindo de um homem que viveu há 300 anos a.C. Até hoje discute-se essa moeda e tenta-se trabalhar com uma moeda parecida com a de Aristóteles.

A relação da Escola Austríaca com o bitcoin

Há vários pensadores que nos deram aulas sobre o que estava acontecendo com o dinheiro e as moedas. Um deles foi Carl Menger, o fundador da Escola Austríaca de economia.

Ele viveu de 1840 até 1921, então demos um salto de mais de 2000 anos desde Aristóteles.

Carl Menger mostrou que o dinheiro surgiu espontaneamente no mercado, sem precisar de imposição estatal. As pessoas, buscando facilitar trocas, passaram a usar bens mais vendáveis como intermediários.

Com o tempo, os mais aceitos – como metais preciosos – tornaram-se dinheiro. Isso ocorreu de forma natural, como resultado da ação individual no mercado, não por decisão de governos ou leis.

Então se nós olharmos a história do dinheiro, os meios de trocas que surgiram não foram impostos pelo governo. Foi a própria sociedade, os indivíduos fazendo trocas de produtos começaram a achar bens que eram universalmente aceitos, que tinham as características da moeda Aristotélica.

O dinheiro pode surgir do reconhecimento coletivo, sem depender do Estado. Esse foi o caso do Sal, que era a forma de pagamento dos soldados na Roma Antiga, por isso o termo salário foi criado. Porém com o tempo, viu-se que o Sal não era tão valioso assim, e ao perder um dos fundamentos da moeda Aristotélica, a escassez, o Sal já não servia como moeda de troca.

É a sociedade que cria o dinheiro com base no que ela acredita sobre aquilo. Se vai ser aceito, se é um bem durável, é tudo o que Aristóteles colocou como a característica da moeda.

O Ouro e as características da moeda Aristotélica

E os metais preciosos como Ouro e Prata se tornaram os meios de troca dominantes a partir do século VI a.C., com destaque para Impérios como o Grego e Romano.

O Ouro, em especial, tem quase todas as características que Aristóteles colocou:

  • Ouro é durável, ele não enferruja, você pode deixar por milhares de anos guardado.
  • Ouro não é totalmente portátil, esse é o único ponto que o Ouro não segue totalmente porque se você tem uma grande quantidade, fica difícil de transportá-lo.
  • Ouro é divisível, você consegue cortar o Ouro em vários pedacinhos, desde 1 grama de Ouro e vender. Uma aliança tem 3 gramas de Ouro no máximo.
  • Ouro é uniforme, se você dividir todos os pedaços tem a mesma característica, desde que seja puro.
  • Ouro é amplamente aceito, é muito fácil encontrar um Ourives para trocar Ouro por dinheiro.
  • Ouro é escasso, você não encontra ele facilmente na natureza. Ele é difícil de conseguir porque senão o Ouro se tornaria uma impressora de dinheiro, e perderia valor muito rápido.

O Ouro não tem 100% das características Aristotélicas, mas é o que chegou mais próximo. Ele só deixa a desejar um pouco na portabilidade.

Por isso que o Ouro perdura até hoje sendo considerado a melhor reserva de valor do mundo, enquanto a Prata já perdeu bastante força porque é bem menos escassa do que o Ouro.

A inflação e a destruição do poder de compra

Toda moeda que ficou abundante demais, fácil de conseguir, gera inflação e perda de valor. Inflação é inflar a quantidade de um bem, é crescer a quantidade de uma moeda na economia.

Com a inflação as coisas não ficam mais caras, é o poder de compra da moeda que está reduzindo. E você precisa de cada vez mais dinheiro para comprar a mesma coisa.

Inflação é o pior imposto que existe e ela surgiu na Roma Antiga. O imperador romano Nero, precisando de mais dinheiro para financiar os gastos estatais, decidiu por dividir a moeda em dois pedaços, e misturar metais preciosos com metais de menor pureza para criar mais moedas.

Como a quantidade da moeda romana cresceu na economia, ela ficou cada vez mais fraca, e como consequência os preços aumentaram.

Aqui entra um ponto importante, o aumento crescente e generalizado dos preços é o sintoma da moeda perder força, dela se desvalorizar pelo crescimento abundante da quantidade de moeda. Primeiro a quantidade de dinheiro sobe, depois o preço das coisas começa a subir.

Por que uma inflação pequena também é destrutiva?

Uma inflação de só 2% a.a. que é algo comum em muitos países e até baixa atualmente, ela parece inofensiva e desejável a primeira vista. Mas por causa do efeito dos juros compostos, depois de 35 anos o poder de compra cai pela metade.

Ou seja, é a antítese dos juros compostos, é uma destruição composta de valor. O seu dinheiro perde metade do valor mesmo com uma inflação dentro da meta.

Agora imagine no Brasil, que já tivemos de 5% até 10% de inflação durante anos, seu dinheiro perde 50% do valor em menos de 15 anos. Por isso a inflação é o pior imposto do Estado, pois trata-se de uma máquina de empobrecer gente apoiada por bancos centrais.

Equivale ao imposto de riqueza aplicado de forma automática e silenciosa sobre as economias de toda a população que não consegue proteger seu patrimônio.

Diferente de um confisco direto ou do aumento de impostos que geraria revolta imediata, esse mecanismo é diluído ao longo de décadas tornando a perda de valor quase imperceptível na vida das pessoas.

Governos e instituições bancárias usam esse mecanismo para transferir riqueza da sociedade para si e para quem já tem dinheiro de maneira gradual e invisível.

Mantém-se a ilusão de estabilidade enquanto o dinheiro fiat que as pessoas usam, ou são obrigadas a usar, é dissolvido sem que a maioria perceba o roubo oculto.

Como a inflação destrói seu patrimônio

O que faria a moeda romana, assim como as moedas fiat atuais manter o poder de compra seria a escassez, ou seja, manter a quantidade em circulação na economia. Foi isso que causou a destruição de todas as moedas atuais, o fato do governo através do Banco Central injetar mais moedas na economia.

Essa ideia de enfraquecer a moeda para poder comprar mais coisas repete-se por milênios. E a população só percebe o problema disso quando surge uma crise econômica, onde a inflação fica insustentável e gera o colapso social.

Poucas pessoas entendem que a inflação é o pior imposto do Estado porque a desvalorização da moeda pela perda de escassez, faz você perder poder de compra e ficar mais pobre com o tempo. Por isso que muitos autores consideram a inflação uma forma de roubo disfarçado feito pelo Estado.

Não acho correto generalizar que todo imposto é roubo, a menos que ele venha como consequência da inflação. Aí sim ele se torna um roubo institucionalizado pois um governo que está injetando dinheiro feito maluco na economia, como ele não produz nada, ele precisa cobrar mais impostos para aumentar a arrecadação.

Nesse caso, por conta de aumentar impostos para financiar a máquina de imprimir dinheiro do Estado e manter seus gastos, aí sim o imposto se torna um roubo que tira seu patrimônio através da inflação da moeda.

Qual é o problema da impressão exacerbada de dinheiro?

Existe um estudo chamado Efeito Cantillon, ele diz que: Quem recebe o dinheiro primeiro lucra.

O governo, os bancos e os grupos privilegiados recebem o novo dinheiro primeiro, antes que os preços aumentem. Quando esse dinheiro chega à população comum, os preços já subiram – os pobres e os assalariados perdem poder de compra.

Foi exatamente isso que Nero fez há 2 mil anos atrás de enfraquecer a própria moeda, e ser a primeira pessoa a ter o novo dinheiro em mãos. É como se ele pegasse 10 dólares e transformasse em 20 dólares, logo ele ficava mais rico, depois Nero começava a comprar as coisas.

O primeiro que recebia essa moeda ainda não iria sentir o aumento do preço. Mas como Nero estava comprando mais coisas, houve aumento da demanda para a mesma oferta de produtos, e o preço sobe.

Sobe o preço um pouco aqui, aí o cara que recebeu o dinheiro já sobe um pouco o preço também. Quem é o último a receber? O assalariado, o trabalhador pobre que tá lá na ponta.

Ele é a última pessoa a pegar esse dinheiro novo na mão, e às vezes nem chega nele. Mas quando chega nele os preços das coisas já subiram.

Trazendo pros dias de hoje, você que ganha 2 mil reais por mês, você vai no mercado e com mil reais faz as compras. Aí o governo começa a injetar dinheiro na economia igual Nero fez.

Quando o governo imprime dinheiro as coisas não estão caras ainda, e ele tem mais poder de compra para sair gastando. Porém quando ele injeta dinheiro na economia e infla a quantidade de dinheiro, as coisas começam a subir de preço, enquanto você ainda ganha 2 mil reais por mês.

De repente você ganha 2 mil e não está mais fazendo o pedido do mês com 1 mil reais, já tá gastando 1100, 1200 reais. Ou seja, para você trabalhador já chegou o aumento dos preços, e o dinheiro novo que o governo imprimiu ele já chegou? Não ainda.

Aí você vai ter que começar a trabalhar agora, negociar um aumento de salário, até que depois de 6 meses que as coisas aumentaram, vem lá a sua correção de salário para 2200, então você foi o último a receber.

Quem recebe o dinheiro primeiro?

Quem controla a impressora é a pessoa que lucra. Afinal inflação crescente é a consequência do governo imprimir dinheiro e ser o primeiro a se beneficiar do efeito Cantillon, recebendo o dinheiro novo antes que ele perca poder de compra.

Por conta do efeito Cantillon, o governo imprime dinheiro aos montes, e por isso vemos gráficos da quantidade de moeda na economia disparar. É fácil para o governo imprimir dinheiro e ficar mais rico, tendo mais poder de compra antes de o dinheiro desvalorizar.

Não à toa os USA estão imprimindo dinheiro, o governo brasileiro imprime dinheiro, e qualquer governo estatal do mundo imprime dinheiro à vontade pelo efeito Cantillon.

O Estado não precisa dar desculpas para ninguém, não precisa explicar o que está acontecendo. Simplesmente imprime mais dinheiro porque é o primeiro a pegar esse dinheiro.

Pelo efeito Cantillon, ele tem poder de compra, gasta com o que acha que tem que gastar, e na outra ponta quem não tem poder de imprimir dinheiro, esses terão seu dinheiro desvalorizado.

O pobre paga essa conta e acha que o governo está lá para ajudar ele. O que Hayek falava sobre isso?

A inflação criada pelo estado é uma forma de confisco indireto. O cidadão não percebe imediatamente, mas com o tempo seu salário compra menos, sua poupança encolhe e seu padrão de vida diminui. O Estado, por outro lado, se financia sem pedir autorização, minando a base da confiança e da liberdade econômica.

Veja que nada é coisa da cabeça, pode pesquisar quem é Hayek, de qual ano ele é e você vai descobrir a quanto tempo se discute essas coisas. Aristóteles antes de Cristo, a 2000 anos atrás, um pensamento mais antigo que a bíblia e que é tão atual quanto nunca.

Exatamente a mesma coisa que Nero fazia, está sendo feito ainda hoje. Tudo isso aqui é a base para entender que bitcoin não é algo para comprar por 10 e vender por 20, quem faz isso não sabe o que é bitcoin.

Qual é a diferença entre o governo desvalorizar a moeda que você tem como investimento, ou não desvalorizar mas pedir 10%, 20% para ele? A diferença é que inflacionar é muito mais fácil, você não precisa explicar para ninguém, é o que Ludwig von Mises falava.

Não tem que dar explicação, acontece simplesmente o contrário. O Estado se apropria dos recursos do setor privado, desvaloriza a moeda do setor privado, e quando os preços sobem porque a moeda perdeu poder de compra pela diminuição da escassez, aí diz que a culpa é do setor privado por você não ter mais poder de compra.

O Estado rouba o setor privado, culpa o setor privado e ainda o povo diz que o governo está certo. É um golpe de mestre, e tem gente que ainda acha que bitcoin é uma pirâmide, que é uma bolha.

Exemplos históricos de países que causaram o colapso social da economia, pela hiperinflação depois de imprimir dinheiro sem parar:

Alemanha – República de Weimar (1919-1923), Zimbábue – décadas de 1990-2000, Brasil – anos 80 e 90 (hiperinflação e planos econômicos).

O importante é você entender esse contexto histórico, que começou com Nero centralizando o poder da moeda e imprimindo dinheiro à vontade para poder gastar na frente dos outros, e o efeito Cantillon mostra que a história nunca mudou.

O início do padrão ouro

Os bancos e governos falaram para a população deixar o ouro com ele e receber um recibo do ouro. As pessoas começaram a negociar o recibo por muito séculos.

Isso perdurou até a chegada do dólar americano, que até hoje é a moeda mais importante do mundo. O dólar era lastreado em ouro, como se fosse um recibo de ouro, então todo dólar poderia ser convertido em ouro.

Cada unidade monetária (como o dólar ou a libra) era conversível diretamente em uma quantidade fixa de ouro. O ouro era o “lastro” das moedas e os governos mantinham reservas de ouro para garantir essa conversão.

Será que os governos aguentaram isso por muito tempo ou a ganância tomou conta?

Na Primeira Guerra Mundial houve o fim temporário do padrão ouro. Os países europeus suspenderam a conversão do ouro para financiar os gastos militares, imprimindo dinheiro em excesso.

A consequência foi a inflação elevada e perda da confiança nas moedas fiduciárias. Os USA, por terem entrado tardiamente na guerra, mantiveram sua posição como principal detentor de ouro do mundo.

A Grande Depressão e o confisco do ouro

Nesse período entre guerras houve grande instabilidade financeira e quebra da Bolsa de 1929, que levou a uma recessão global.

A Grande Depressão que foi um reset econômico na época, e levou ao confisco do ouro nos Estados Unidos. O presidente obrigou os cidadãos a entregarem todo seu ouro físico ao governo, tudo para impedir uma corrida bancária e o colapso do sistema financeiro.

O objetivo foi para dar mais controle ao governo sobre a oferta monetária. Por isso que uma das teorias do bitcoin é que em vários países ele será criminalizado, o que já acontece em vários países controlados por ditaduras no mundo.

O pensador Murray Rothbard disse: “O confisco do ouro foi, essencialmente, o Estado admitindo que o padrão ouro limitava seu poder – e por isso teve que ser destruído.”

Esse é o maior medo que o Estado tem sobre o bitcoin, ele perde poder. Só que diferente do ouro, é muito mais difícil o governo confiscar o bitcoin. Por isso que o governo fica quieto sobre o bitcoin porque é melhor não proibir do que as pessoas descobrirem do que se trata.

Bretton Woods e o fim do padrão ouro

A história se desenvolveu com o acordo de Bretton Woods no final da 2ª Guerra Mundial, em 1944.

O acordo criou uma nova ordem mundial, com o dólar sendo a moeda de reserva internacional, lastreado em ouro. Os demais países teriam suas moedas atreladas ao dólar.

Os Estados Unidos disseram assim: “Deixem que eu cuido do ouro, emito dólares lastreados em ouro, e vocês emitem suas moedas lastreadas no dólar, que no final vocês podem trocar dólar por ouro“.

Todo mundo decidiu confiar nos USA, porém na década de 1960 os USA passaram a emitir mais dólares do que tinham de ouro em reserva. Os países começaram a desconfiar da conversão e a exigir ouro em troca de seus dólares, o que fez as reservas de ouro dos USA começarem a cair drasticamente, ameaçando esgotá-las.

Em 1971, diante da situação insustentável da diminuição das reservas americanas, o presidente Nixon decretou o fim do padrão ouro. Os USA suspendeu unilateralmente a conversão de dólar em ouro, nenhum país mais poderia trocar dólares por ouro.

A ideia era proteger e estabilizar o dólar diante dos ataques de especulação internacional. Havia-se criado uma espécie de corrida contra o dólar ao questionar se os USA realmente conseguiriam honrar a conversibilidade da moeda por ouro.

Com o fim oficial do Bretton Woods, começava a era do sistema fiduciário puro, onde o valor da moeda depende apenas da confiança no governo que a emite.

O pensador Rothbard disse no livro Pelo Fim do Banco Central: “Foi o reconhecimento de que o governo dos USA jamais teve a intenção de honrar seus compromissos em ouro. O padrão ouro foi eliminado para permitir inflação ilimitada.”

A Escola Austríaca e o dinheiro fora do alcance do Estado

Várias economias já quebraram pela hiperinflação após o fim do padrão ouro-dólar. Aqui você começa a entender que o bitcoin não é uma aventura, é uma filosofia, uma ideologia, tem todo um contexto histórico.

Hoje dinheiro de papel não tem lastro nenhum, nós temos que confiar através de curso forçado pelo Estado, é lei no país que as pessoas tem que usar aquela moeda como base de troca.

Ludwig von Mises, principal defensor da escola Austríaca na década de 1920, em As Seis Lições, já clamava por bitcoin. Nem internet existia, mas ele já falava dos fundamentos que o bitcoin tem hoje:

O valor do dinheiro precisa ser determinado pelo mercado, não pela caneta de burocratas. Quando o Estado controla a moeda, ele inevitavelmente a destrói. A única solução duradoura é um retorno ao dinheiro sólido e fora do alcance de governos – como o ouro sempre foi.

Os pensadores que imaginaram um dinheiro diferente

Diversos outros representantes da escola Austríaca também profetizaram o bitcoin em sua época. Vejamos o que Murray Rothbard falou na década de 1960, no livro Pelo Fim do Banco Central:

O Estado jamais deve ter o poder de criar dinheiro. Isso equivale a permitir falsificação legal. Precisamos de um sistema em que o dinheiro seja imune à interferência política – um dinheiro que o governo não possa imprimir, confiscar ou manipular.

F.A. Hayek (1976Desestatização do Dinheiro): “O monopólio do governo sobre a moeda é a principal fonte de instabilidade econômica. Precisamos permitir a concorrência entre moedas privadas. Somente assim os indivíduos poderão escolher um meio de troca confiável, e os governos serão forçados à disciplina.”

Nesse mesmo livro, mais para frente ele diz: “Não acredito que tenhamos uma boa moeda novamente antes de tirarmos isso das mãos do governo. Não podemos tirá-lo voluntariamente, tudo o que podemos fazer é, de alguma forma, introduzir algo que eles não possam parar.”

Jesús Huerta de Soto (anos 90-2000): A única saída é abolir esse sistema e permitir uma ordem monetária baseada em contratos voluntários e lastro real, fora do alcance da manipulação política.

Frase de Milton Friedman (1999): “Acho que a internet será uma das forças que reduzirá o papel do governo. A única coisa que está faltando – mas que será desenvolvida em breve – é um dinheiro eletrônico confiável“.

Todas essas falas descrevem exatamente o bitcoin, são as características do bitcoin. Portanto, podemos perceber que o bitcoin foi uma criação de pedidos.

A criação do Bitcoin e Satoshi Nakamoto

Não tem como parar o bitcoin porque ele não tem um dono. Teria que fazer toda a comunidade de bitcoin, os mineradores, nodes validadores concordassem em parar. Mas quem está nisso é justamente por conta de todas essas teorias que trouxe nesse artigo, então você acha que a comunidade aceitaria parar?

Por mais que fosse criminalizado, seria necessário ter um consenso global. E ainda assim alguns anarquistas iriam continuar rodando o negócio.

Aí surge a figura do Satoshi Nakamoto. Ele projetou o Bitcoin como uma resposta direta dos abusos do dinheiro estatal: Inflação arbitrária, resgates bancários e confiança forçada.

Ele substituiu política por matemática, monopólio por descentralização e inflação por escassez programada. Com isso, devolveu ao indivíduo o controle sobre seu dinheiro – como os austríacos sempre pediram.

Bitcoin não foi a criação de um maluco qualquer, tem toda uma história por trás. Tudo isso vindo da única pessoa no mundo que desapareceu da internet sem deixar rastros.

O Bitcoin possui as características da moeda Aristotélica?

Fica a pergunta: A moeda aristotélica deve ser Durável, Portátil, Uniforme, Amplamente aceita, Escassa. O Bitcoin é?

Bitcoin é durável? Sim.

  • Pois não se deteriora fisicamente, é puramente digital. Ele não estraga com o tempo.
  • As informações do Bitcoin são mantidas por milhares de computadores ao redor do mundo. A rede blockchain garante redundância e resiliência.
  • Sem ponto único de falha, distribuído por mais de 25 mil nodes espalhados pelo mundo. Possui robusta infraestrutura da internet, com poder computacional maior que os 500 computadores mais poderosos do mundo juntos.
  • Basicamente teria que ter um apagão de internet global, e se ficar 30 anos sem internet, quando ela for ligada o bitcoin volta a existir imediatamente.

Bitcoin é portátil? Sim, e de forma nunca vista antes:

  • Nunca foi inventado um dinheiro tão portátil quanto o bitcoin. Você pode carregar bilhões de reais em bitcoin em um pendrive, celular ou até na memória (em forma de chave privada).
  • Não precisa atravessar fronteiras com malas de dinheiro ou barras de ouro – basta uma conexão com a internet ou uma carteira digital.
  • Pode ser enviado para qualquer lugar do mundo em minutos, com taxas relativamente baixas, sem depender de bancos, governos ou alfândegas.
  • É possível movimentar valores imensos com risco logístico quase zero.

O Bitcoin é divisível? Sim. É totalmente divisível.

  • Cada 1 bitcoin (BTC) pode ser dividido em até 100 milhões de unidades menores, chamadas satoshis. Ou seja, 1 BTC = 100.000.000 satoshis.

Bitcoin é uniforme? Sim, é perfeitamente uniforme.

  • Bitcoin vale exatamente o mesmo valor em qualquer parte do mundo, seja ele minerado em 2010 ou recebido hoje.
  • Não existe “bitcoin velho”, “bitcoin novo”, “bitcoin brasileiro” ou “bitcoin americano“.
  • Cada satoshi (a menor unidade) tem o mesmo valor e função que qualquer outro satoshi. Todos os bitcoin são iguais, independentemente de com quem você comprar.
  • O sistema é regido por um protocolo matemático imutávelsem variação de qualidade, peso ou pureza como ocorre com moedas físicas.

O Bitcoin é amplamente aceito? Sim, adoção em crescimento.

  • Empresas internacionais como Microsoft, Shopify, e alguns outros serviços.
  • Comércios locais, especialmente em regiões com inflação alta ou pouca confiança nas moedas estatais (Argentina, Venezuela, Nigéria)
  • Sites e lojas online que vendem eletrônicos, passagens, hospedagens e serviços digitais.
  • Países com jurisdições Cripto Friendly que fizeram do bitcoin uma moeda de curso legal.
  • ETFs de bitcoin administrados pelas maiores gestoras de investimentos do mundo com captação de bilhões de dólares.

De fato, essa é a única característica Aristotélica que ainda falta para o bitcoin, mas que está em evolução.

Bitcoin é escasso? Com certeza é totalmente escasso! Faz parte do projeto de Satoshi Nakamoto.

  • O código do Bitcoin estabelece que só existirão 21 milhões de bitcoins no mundo, para sempre.
  • Essa quantidade nunca poderá ser alterada, a menos que toda a rede (milhões de participantes) concorde – algo praticamente impossível.
  • Novos bitcoins são emitidos de forma previsível e decrescente, através de um processo chamado halving (a cada 4 anos, a emissão é cortada pela metade).

Mais de 19 milhões de bitcoins já foram minerados e o último bitcoin será minerado aproximadamente em 2140, de acordo com o projeto da blockchain do bitcoin.

Por que comprar Bitcoin?

O que eu quero dizer é que a nossa decisão de investir em bitcoin, comprar esse ativo é por causa desse motivo, por conta desses argumentos.

Depois dessa aula, você acha correto comprar por 10 para vender por 20? Ficar especulando que um gráfico vai subir?

Quem faz isso não tem a menor noção do que eu introduzi aqui nesse artigo. Essa é uma introdução picotada, se você fosse se aprofundar nesse assunto, cada tópico viraria uma pós-graduação e não levaria menos de 1 ano para você concluir esse estudo.

Fica a pergunta: Até quando as pessoas vão aceitar usar um dinheiro que perde valor todo ano? Por isso estude bitcoin e descubra a verdade porque a verdade vos libertará, como já diz na bíblia.

O Bitcoin não surgiu no vácuo

O Bitcoin não surgiu no vácuo em 2009. Ele pode ser interpretado como a consequência tecnológica de séculos de discussão sobre dinheiro, escassez, Estado e liberdade monetária.

Tudo o que vimos neste artigo — desde Aristóteles e as características da moeda, passando pela Escola Austríaca, pelo ouro, pela inflação, pelo Efeito Cantillon, pelo fim do padrão ouro e pelas ideias de Mises, Rothbard, Hayek e Friedman — ajuda a entender o contexto que existia antes da criação do Bitcoin.

Por isso, Bitcoin é muito mais do que um ativo para comprar por 10 e vender por 20. É o resultado de uma longa busca por um dinheiro escasso, portátil, divisível, uniforme, resistente à interferência estatal e cada vez mais independente de instituições centrais.

Satoshi Nakamoto não inventou sozinho a ideia de um dinheiro diferente. Ele transformou séculos de discussão econômica em uma tecnologia funcional.

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