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Economia Brasileira, Inflação e Proteção Patrimonial

A economia do Brasil está indo ladeira abaixo

Para quem não sabe, a economia do Brasil está indo ladeira abaixo. Não importa se o IBGE diz que o desemprego está baixo e o PIB está crescendo, a verdade é que não existe economia funcionando bem com contas fora de controle.

Se o governo gasta mais do que arrecada, da mesma forma que não existe uma casa saudável quando a família gasta mais do que ganha, ambos vão para a falência. Economia saudável é uma ilusão que irá explodir na nossa cara em pouco tempo.

A matemática pura e cruel é que a economia brasileira vai à falência, não há como ignorar esse ponto. Você pode até enrolar por um período pegando empréstimo, usar cheque especial, rolar a dívida fazendo novas dívidas.

O governo pode fazer várias manobras para atrasar a falência, mas em algum momento essa bagunça vai acabar porque a dívida vai se tornar insustentável. Então o governo gasta demais até a hora que não vai mais conseguir crédito na praça e fazer rolagem de dívida.

O crescimento da dívida pública e os juros no Brasil

O governo tem déficit mensal e paga juros altíssimos pelas dívidas, e esse juro mensal faz a dívida aumentar. Aí o governo cria mais déficit, mais dívidas, mais juros. Chegamos para um ponto em que só de juros o Brasil paga 1 trilhão de reais por ano.

Um dinheiro que poderia ser usado para estradas, hospitais, escolas, crechês, mas que nunca é usado para essas coisas porque se tornam apenas gastos para manter as dívidas em dia.

O Brasil está num caminho ladeira abaixo, simples assim. A dívida pública total já ultrapassa 10 trilhões de reais, e daqui a pouco vai ultrapassar 100% do nosso PIB. Tem países como o Japão que a dívida é de 240% do PIB, mas o problema das dívidas são os juros e não necessariamente o tamanho da dívida.

A maior parte da dívida brasileira é atrelada a taxa Selic, que tem os maiores juros reais do mundo. Estamos falando de quase metade da dívida pública brasileira atrelada a uma taxa Selic de 14% a.a., referência de Agosto de 2026. Enquanto no Japão o juros da dívida é de 1 a 2% a.a., o que é irrisório comparado com os juros pagos pelos brasileiros.

Impostos e aumento da arrecadação do governo

Dá para maquiar fácil os números porque o desemprego tira todo mundo que recebe bolsa família e vive de assistencialismo, pessoas que não fazem nada e ficam em casa, logo sobra um desemprego baixo. E o PIB cresce porque o governo arrecada dinheiro e gasta ainda mais dinheiro.

E o governo cria impostos para sanar a sede por arrecadação, e precisa tirar mais dinheiro das pessoas. O governo diz: “Eu estou em déficit, eu preciso de mais dinheiro, preciso arrecadar mais, de onde eu vou tirar?”

E vai criando novos impostos para as empresas e as famílias até o ponto que não consegue arrecadar mais dinheiro. Nesse ponto começa a ficar cada vez mais complicado essa situação.

O risco de confisco do dinheiro

E tem pessoas que ficam preocupadas que, nesse instante, eles vão confiscar seu dinheiro para conseguir se manter. A chance disso acontecer é muito improvável, primeiro porque a constituição protege essa questão de confisco, apesar de a constituição do país ser usada para limpar a própria bunda todos os dias.

E o benefício dessa ação será muito menor do que o malefício de se realizar uma operação como essa de retenção de dinheiro. Essa chance não é nula, mas é bem pequena de acontecer novamente, como foi com o confisco da poupança pelo Collor.

Mas então o que pode acontecer?

Simples, a inflação também pode destruir o valor do seu dinheiro!

O seu medo não precisa ser que o seu dinheiro vai ser tirado à força da sua conta, essa não é a única forma de confiscar seu dinheiro. A segunda forma de confisco é simplesmente fazer seu dinheiro não valer nada.

Se o governo aumentar a inflação cada vez mais e fazer o seu dinheiro desvalorizar sem parar, ao ponto que mesmo você tendo o valor nominal mantido, ele não compra nada. Basta olhar a situação da Argentina a poucos anos atrás, com uma inflação de 200 a 400% ao ano, o dinheiro valia cada vez menos.

Quer ir um pouco mais longe, olhe a Venezuela. Tem fotos na internet de uma pessoa que para comprar um pãozinho, ele precisa de um pacote de dinheiro que não cabe dentro de uma maleta, para comprar uma carne tem que vir com uma sacola de dinheiro.

Isso significa que o dinheiro não foi confiscado, ele está na sua mão mas ele não vale nada. E isso acontece no Brasil faz 6 a 7 anos. Antes da pandemia um carro popular básico custava entre 35 a 50 mil reais, hoje um carro popular custa 80 mil reais, em média.

Estamos falando exatamente de custar o dobro, logo em 7 anos seu dinheiro para comprar carro popular vale a metade do que valia antes da pandemia. Então se você comprava 2 carros populares com 100 mil reais a 7 anos atrás, agora mal compra um carro.

A perda do poder de compra do dinheiro

Essa é a perda do poder de compra do dinheiro ao longo dos anos, e há evidências por toda parte dessa situação: nos preços dos apartamentos, compras no supermercado, você pode ver isso com qualquer coisa.

O Estado não precisa retirar seu dinheiro, basta ele mal administrar as contas do país, e o dinheiro que você terá nas suas mãos será cada vez menor. Do mesmo jeito, para quem está aposentado ou conta com o dinheiro da aposentadoria, vocês tem um problema sério e as pessoas ainda não entenderam isso.

O reajuste anual que você terá na sua aposentadoria não irá acompanhar a inflação atual. As coisas vão ficar cada vez mais caras e seu dinheiro não vai acompanhar.

E nem estou falando da possibilidade do INSS quebrar, o que é extremamente viável de acontecer, só estou falando que mesmo o INSS te pagando todo mês, a inflação real das coisas vai subir muito mais e você se tornará cada vez mais pobre.

Como proteger seu dinheiro da inflação

O que poço fazer a respeito disso? Você se defende dessa situação através de investimentos, através de cuidar do nosso próprio dinheiro, de cuidar da economia da nossa própria família.

Primeira coisa é corrigir a sua mentalidade, esse é o início de tudo. A mentalidade faz parte das escolhas que você faz sobre o que é certo ou errado na vida, ou seja, está diretamente relacionada ao seu comportamento. O comportamento é a única coisa sobre a qual Deus te deu total controle.

Se você não gosta dos seus resultados, mude os seus pensamentos, porque isso permite desenvolver uma nova mentalidade, novos comportamentos e resultados diferentes.

Não é à toa que se fala tanto sobre mentalidade, porque ela está diretamente ligada àquilo que você tem total controle e pode melhorar diariamente por meio de novos comportamentos e novas escolhas.

Segundo, você precisa obviamente viver no padrão de vida correto. Não adianta você culpar a economia, culpar os alto custo das coisas porque são fatores que não estão sobre o seu controle, eles estão além do nosso controle.

Não controlamos como a economia está andando, o preço dos carros, preços no supermercado nós não temos controle. Essas coisas vão subir você querendo ou não, não há o que possa ser feito então não adianta reclamar que as coisas estão mais caras.

Você tem que controlar aquilo que depende de você que são as escolhas do que comprar, dos seus gastos. Você tem que adaptá-los para um ponto em que você tem um padrão de vida ajustado, otimizado para aquilo que você ganha.

A importância de ajustar o padrão de vida antes de investir

Se você não tem isso, não existe aonde investir. Você vai investir o quê? O dinheiro que você não tem? Você vai pegar empréstimo para investir? Então a primeira coisa que você precisa fazer é ajustar seu padrão de vida, ele tem que estar mais baixo do que você ganha.

Se você não fizer isso, independente de como a economia está você irá à falência. Tem que ficar claro que você deve viver no padrão de vida correto, onde sobra dinheiro todo mês. Sem essas duas coisas — mentalidade e padrão de vida ajustado —, nada do que eu te falar vai fazer diferença.

Não adianta eu dizer que você precisa investir seu dinheiro para se proteger da inflação da moeda, se você vive no padrão de vida errado. Esquece porque se você vive errado não tem como construir nada na sua vida.

Mesmo que receba uma herança, venda um imóvel, se você gasta mais do que ganha não adianta você investir o dinheiro. O padrão de vida errado vai te endividar e você vai precisar sacar o dinheiro para pagar as contas.

Por que você precisa de um fundo de emergência

E se você precisar sacar o dinheiro investido, você irá vender os ativos alguns em momentos de baixa e outros em momentos de alta. Então se você precisar do dinheiro para uma emergência, é necessário ter o seu fundo de emergência para poder sacar de lá, sem interferir nos investimentos feitos que são para o longo prazo daqui a 10 anos no mínimo.

O primeiro investimento sempre se chama fundo de emergência, tem que ter dinheiro com liquidez diária que serve para proteger você e sua família. Sem fundo de emergência não tem como pensar em outros investimentos.

A regra é colocar ele no CDB que paga 100% da taxa Selic, ou no próprio tesouro direto. Só presta atenção que tem de ser num investimento com liquidez diária.

Investimentos para proteger o dinheiro da inflação

Então agora sim, após fazer a lição de casa de mudar sua mentalidade, padrão de vida e criar um fundo de emergência, você pode investir para proteger seu patrimônio e construir uma segurança extraordinária para você.

E quais investimentos eu posso fazer para proteger o dinheiro da desvalorização da moeda?

Investimentos nacionais

Após criar seu fundo de emergência, a segunda coisa é fazer investimentos nacionais para proteger você da desvalorização da moeda.

Começando pelos investimentos em renda fixa, temos o título IPCA+, que paga a inflação mais juros prefixados. Conforme a inflação subir, a correção do título acompanha essa variação, além dos juros contratados.

Outra parte do dinheiro você investe em ações brasileiras como parte da diversificação.

Você precisa dividir seu dinheiro para investir em uma carteira de ações nacionais porque as coisas podem mudar a qualquer momento. A economia pode estar hoje ladeira abaixo, mas também pode inverter essa situação por uma mudança política ou econômica.

Portanto, a carteira de ações de empresas brasileiras pode começar a voar, e se você não estiver posicionado no mercado de ações, poderá perder essa oportunidade. Logo, parte do seu dinheiro pode estar em ações nacionais na bolsa de valores.

Ativos reais como forma de diversificação patrimonial

Outra forma de diversificar o patrimônio é investir em ativos reais, como imóveis, terrenos e participação em empresas. Esses ativos também podem ter a função de proteger o patrimônio contra a inflação e a desvalorização da moeda, especialmente no longo prazo.

O único detalhe é que eles não têm a mesma liquidez dos investimentos financeiros. Se você precisar de dinheiro por algum motivo durante uma crise, ativos desse tipo podem dificultar o acesso rápido aos recursos. Porém, no longo prazo, eles podem contribuir para a proteção e diversificação do patrimônio.

Ativos dolarizados para proteger o patrimônio

Outra alternativa é comprar ativos dolarizados atrelados ao dólar. Mas quais investimentos acompanham essa moeda? Uma opção é investir em ETFs de ações da bolsa norte-americana, como o IVVB11, que acompanha o S&P 500, principal índice da bolsa de Nova York.

Ao investir nesse tipo de ativo, você pode ganhar dinheiro de duas formas: a primeira acontece quando o S&P 500 se valoriza, aumentando o valor do investimento. A segunda ocorre quando o dólar sobe em relação ao real, pois a desvalorização da moeda brasileira também impacta positivamente esse tipo de investimento.

Por isso, comprar IVVB11 é uma opção para dolarizar sua carteira sem precisar investir diretamente no exterior. Além dele, no Brasil, também existem BDRs de empresas norte-americanas negociados na bolsa brasileira, permitindo investir em companhias como JP Morgan, Google, Meta, Amazon, entre outras.

Essas alternativas podem ser utilizadas para proteger o patrimônio contra a desvalorização do real.

Investimentos no exterior para grandes patrimônios

Agora, se você já tem um grande patrimônio e quer ampliar ainda mais sua proteção, pode ter uma parte do seu dinheiro dolarizado diretamente no exterior. Ou seja, pode dolarizar seu patrimônio em outra jurisdição, mantendo uma parte dos seus recursos legalmente custodiada fora do Brasil.

Assim, você compra ativos dolarizados que estão fora do Brasil. Como exemplos desses ativos temos o VOO, o IVV e o SGOV, que investe em títulos do Tesouro americano de curto prazo.

Isso pode proporcionar proteção cambial e também diversificação de jurisdição, mas não significa que você deixa de ter obrigações relacionadas à declaração do Imposto de Renda e à tributação. A tributação de investimentos no exterior possui regras próprias e pode tornar essa estrutura mais complexa.

Em resumo, para carteiras menores, você pode investir em ativos dolarizados disponíveis no Brasil. Para patrimônios maiores, pode fazer sentido ter uma parte dos ativos dolarizados diretamente no exterior.

Conseguiu entender esse balanço?

Por um lado, tenho um fundo de emergência montado; por outro lado, tenho ativos de renda fixa que acompanham a inflação para proteger meu dinheiro.

Também, se a economia do Brasil mudar e começar a crescer, eu estou investindo na bolsa brasileira. E se o real continuar se desvalorizando, tenho ativos dolarizados; quando o real perde valor em relação ao dólar, esses ativos podem se valorizar em reais.

Além disso, posso ter ativos reais, como imóveis, terrenos e participação em empresas, contribuindo para a diversificação e proteção do patrimônio no longo prazo.

Se você tiver esses quatro componentes, seu patrimônio já estará mais diversificado. Trata-se de ter números em torno de 40% em renda fixa, 30% em ações brasileiras na bolsa de valores e 30% em ativos dolarizados, sem considerar os ativos reais como uma parcela obrigatória dessa divisão.

Esteja preparado para qualquer cenário

Nós torcemos para que a situação mude e o Brasil cresça, mas a minha fé não pode refletir na forma que eu protejo a minha casa e minha família.

Com isso, quero dizer que, não importa como o Brasil está indo, a forma como eu protejo minha família é por meio de conhecimento, mentalidade correta e investimentos corretos.

Só sabendo o que fazer com meu dinheiro é que consigo proteger minha família. Lembrando: você precisa ter mentalidade correta, padrão de vida correto, investir dinheiro todo mês e construir primeiro seu fundo de emergência.

Depois, separar parte do meu dinheiro para a construção de uma carteira diversificada, onde parte dela estará em um ativo de renda fixa IPCA+, outra parte em ativos na bolsa brasileira e outra parte em ativos dolarizados.

Com essas três fatias montadas, você terá uma carteira capaz de reagir a diferentes cenários: se a inflação subir, o IPCA+ acompanha essa variação; se a economia melhorar, as ações podem se valorizar; e se o real se desvalorizar e a economia continuar ladeira abaixo, seus ativos dolarizados podem se valorizar em reais.

Não tente prever o futuro

Você não precisa acertar o futuro, só precisa estar preparado para as mudanças. Não espere a crise começar para diversificar seu dinheiro.

Assim como você faz seguro antes de um incêndio acontecer, você não diversifica sua carteira para apostar contra o Brasil. Você diversifica porque não quer apostar tudo em um único país, depender de uma única moeda ou de uma única economia.

Não podemos prever o que vai acontecer nas eleições em outubro ou como será o país nos próximos 2, 3 ou 5 anos. Você pode ter sua opinião sobre o que deve acontecer, mas a única coisa que pode fazer é estar preparado para as mudanças. Quando você está preparado, consegue proteger sua família e continuar buscando prosperidade, independentemente de como esteja a economia, seja em um período de crescimento ou de dificuldades.

Em cada momento da economia, diferentes investimentos podem apresentar um desempenho melhor, permitindo que você continue construindo seu patrimônio.

O controle da sua vida financeira está nas suas mãos

Então podemos concluir que o controle da sua vida financeira e da sua família depende das suas próprias decisões. Não terceirize essa responsabilidade, não jogue para os outros e não coloque toda a culpa no governo, mesmo sabendo que ele tem grande responsabilidade pelos problemas econômicos que enfrentamos.

Reclamar não vai proteger você. O que pode transformar sua vida é mudar a forma como você lida com o dinheiro, como enxerga a economia e como toma suas decisões financeiras.

A economia pessoal de cada um de nós vai definir se iremos prosperar ou piorar nossa situação nos próximos anos. As circunstâncias externas podem influenciar o caminho, mas nossas escolhas determinam como vamos enfrentá-las.

Eu entendo que é difícil mudar uma situação desfavorável, mas, seja fácil ou difícil, você sempre poderá escolher como reagir a ela. Cabe a você decidir como administrar sua economia pessoal e quais caminhos seguir para construir a vida que deseja.

As outras pessoas podem ajudar ou atrapalhar, mas você é quem define o rumo da sua vida. Por isso, não permita que terceiros tomem decisões que deveriam ser suas ou influenciem o futuro que você deseja construir para si e para sua família.

No final, é você quem vai viver com os resultados das suas escolhas. O que importa é a maneira como você administra sua vida, e não aquilo que outras pessoas decidirão fazer por você.

Quando você não escolhe, escolhe não escolher — e essa é uma péssima escolha. Afinal, se você não tomar as próprias decisões, terá que se contentar com aquilo que o mundo e os outros escolherem para você.

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