Por Que a Conta do Governo Cai no Seu Bolso?
Quando dizemos que o Brasil está falindo, não é o Estado que está quebrado mas sim o povo brasileiro e as empresas. Basicamente o que está acontecendo é que o nível de dificuldade para viver no Brasil está aumentando.
Nosso povo sofre com a perda do poder de compra, inadimplencia elevada, medo do desemprego, empresas em recuperação judicial, carga tributária muito elevada e serviços públicos de má qualidade.
E mesmo nesse cenário, a impressão de dinheiro não para de subir e o pobre está se ferrando por conta da inflação. Vou dar um exemplo prático: Se você tem um carro financiado e você não está conseguindo pagar, você não pode imprimir dinheiro e vai ficar endividado, vai dar calote no banco.
É exatamente isso o que está acontecendo no Brasil: Mais de 80 milhões de brasileiros endividados, o índice de inadimplencia estourando, mais de 50% das famílias tem dívidas e comprometem 30% do salário mensal para pagá-las.
O governo está na mesma situação, está endividado até as cuecas. A única diferença do governo para o cidadão comum é que ele pode imprimir dinheiro e ele faz exatamente isso.
Como o governo consegue gastar mais do que arrecada?
Simples, criando dinheiro novo ou fazendo mais empréstimos pelo Banco Central.
Agora se entrarmos nos indicadores relacionados ao governo, o principal deles é o déficit nominal. Déficit nominal = Gastos do governo + juros da dívida − Arrecadação.
No atual governo temos os seguintes dados: Em 2023, o déficit nominal foi de R$ 967,4 bilhões; em 2024, subiu para R$ 998,0 bilhões; e em 2025 chegou a R$ 1,0626 trilhão.
O fato é que déficit funciona como uma família que gasta mais do que ganha: se você está fechando o mês no vermelho, precisa pegar dinheiro emprestado. Você vai usar o cartão ou o cheque especial para cobrir esse rombo nas contas de casa.
Se você tivesse poucas dívidas, você conseguiria pegar empréstimo com juros baixos. A mesma lógica vale para o governo, porém a realidade é o governo dever 80% do que recebe no ano, ele já deve 10 trilhões e os juros serão altos para conseguir mais empréstimos.
Então o governo está acumulando dívidas cada vez mais altas, ano após ano, e o crédito será mais restritivo e com taxas mais altas, pois os investidores terão receio de emprestar dinheiro.
É exatamente isso que está acontecendo com o Brasil. Como ele gasta demais e tem déficit fiscal muito grande, ele tem pouca credibilidade e confiança perante os investidores que emprestam dinheiro pro governo.
Como o déficit público cria uma espiral de dívida
Quando os investidores tem cada vez mais medo do risco fiscal do governo, isso gera incerteza na economia e a tendência deles é sempre pedir um prêmio, pedir juros mais altos.
É um ciclo que se autoalimenta, onde o governo é um devedor que compromete boa parte da renda com dívidas, ele gasta mais do que ganha e precisa se endividar ainda mais para fechar o mês, a dívida aumenta e os investidores que emprestam dinheiro vão restringir o crédito na praça a juros mais altos.
O que aumenta ainda mais as dívidas do governo, que gera mais aperto e mais déficit nas contas do mês, que necessita de mais empréstimos a juros mais altos até o momento que ele chega a falência, onde não tem mais crédito, não consegue pagar as contas e dá calote em todo mundo.
Essa é a espiral da morte causada por um ciclo vicioso. O que podemos fazer nessa situação são apenas 3 coisas, mas uma delas realmente é a única coisa que resolve o problema, que é gastar menos do que ganha.
E não adianta o governo falar que não tem mais de onde cortar gastos, a realidade é que a vida não quer saber se tem onde cortar, não quer saber se as despesas do governo são importantes ou não.
Se continuar gastando mais do que ganha todos os meses o país vai à falência. Não há nada no mundo que salva um país que faz isso, que gasta mais dinheiro para pagar dívidas do que para fazer o Brasil ir para frente.
Esse ano o governo já avisou que está faltando 105 bilhões de reais, e provavelmente vai ter que cortar gastos na saúde, educação, em todas as coisas. Por isso que taxas de juros altas acabam com qualquer possibilidade de você dar certo nessa vida.
Se tem uma lição valiosa que você deve sair desse artigo, é que não existe viver gastando mais do que ganha. Não importa se você é PF, PJ ou governo, a regra é a mesma.
O efeito Cantillon e a perda do poder de compra
Só que quando ele imprime dinheiro acontece uma sacanagem chamada efeito Cantillon. Quem é a primeira pessoa que recebe o novo dinheiro?
O dono da impressora e os amigos do dono da impressora. Só que quando o dinheiro começa a escoar pela sociedade o preço das coisas começa a subir.
Quem é o último a pegar esse dinheiro? O pobre porque você tá lá trabalhando sem parar, enquanto as coisas só aumentam pela inflação. E quando você pede um aumento ele só vem depois de 6 meses um acréscimo de 5%, mas as coisas já aumentaram 10% nesse período.
Ou seja, o salário não acompanha a desvalorização do dinheiro e isso afeta o bolso de todo mundo, principalmente dos mais pobres que gastam quase todo o salário com itens de sobrevivência que pesam cada vez mais no orçamento.
O governo é o único que se beneficia do aumento da base monetária, pois ele é o primeiro que tem o dinheiro para gastar quando o preço das coisas ainda não subiu. Só que quando ele começa a gastar na economia, isso gera inflação que é a perda do poder de compra do dinheiro.
Split Payment: o governo recebe antes das empresas
O melhor exemplo possível do efeito Cantillon é a nova Reforma Tributária, cujas regras começam a valer a partir de 2027. A principal mudança que irá aumentar o efeito Cantillon na economia brasileira chama-se Split Payment.
Com o Split Payment, o governo terá apetite e velocidade para arrecadar impostos. E velocidade muda tudo porque quando o Estado recebe antes, recebe imediatamente no ato da venda, ele passa a operar com uma gordura que a iniciativa privada não tem.
Ou seja, o caixa público cresce no momento que o caixa das empresas começa a diminuir. Essa assimetria econômica é mortal para uma economia como a nossa, pois uma empresa sem caixa contrata menos, investe menos, se arrisca menos e repassa o preço mais rápido.
Isso cria um círculo vicioso que o governo não quer admitir publicamente, que o aumento da arrecadação mata a base que sustenta a própria arrecadação. Quanto mais o governo puxa da economia real, menos a economia real consegue sobreviver.
É como se o Estado estivesse nesse momento cerrando o galho da árvore que ele está sentado, exigindo que você segure o tronco inteiro sozinho. E os impostos não viram algo produtivo, transformam-se em gastos que viram mais dívidas, que viram mais impostos para cima do cidadão que não sabe para onde correr.
Antes de você conseguir se organizar, negociar prazo, antecipar recebíveis, estruturar seu caixa. Agora o Estado entra no meio da operação e te impede de respirar.
Você irá comprar menos porque vai custar mais caro, a empresa vai vender menos porque vai sobrar menos dinheiro na mão do brasileiro, o desemprego vai crescer porque não tem margem de lucro.
O país inteiro vai andar para trás enquanto o Estado cresce para frente pelo menos momentaneamente. O Split Payment não é apenas uma reforma tributária moderna, ele é o acelerador de um modelo que está drenando a vitalidade do Brasil a décadas.
Essa é a consagração de um país aonde o governo é o primeiro a receber e o último a entregar. O problema não é que o governo está com falta de dinheiro, muito pelo contrário, ele está arrecadando cada vez mais.
O problema é o que eles fazem com esse dinheiro porque mesmo com a arrecadação Federal batendo novo recorde histórico, o Estado continua fechando as contas no vermelho gastando muito mais do que arrecada.
Onde o dinheiro do governo está sendo gasto?
Só para você ter uma ideia, o Brasil gasta com juros da dívida pública mais de 1 trilhão de reais, o que equivale ao dobro do que o país gasta com educação, por isso que a educação desse país é precária.
O mesmo vale para as despesas com saúde, segurança, saneamento básico e transportes. Não à toa nós não temos uma ferrovia interligando o país, poucas cidades tem metrô, não existe trem bala.
Com defesa então a situação é crítica, falta até verba para encher o tanque de combustível da polícia federal. O país gasta quase nada com o exército, se entrarmos numa guerra perdemos na hora.
Como é possível um país torrar mais de 2,5 trilhões de reais em 8 meses? Não ter 100 bilhões e começar a fazer cortes na saúde, segurança e educação, sem nem ter terminado o ano?
Essa conta não fecha e tá na cara que vai quebrar. E não pense que eles vão cortar seus próprios privilégios, eles vão continuar a colocar todo o custo no cidadão, que faz parte do elo mais fraco da corda.
O Split Payment significa o seguinte: O governo não confia no cidadão pagador de DARF e diz que o dinheiro é dele antes de ser seu. Esse mesmo governo quer que o cidadão confie cegamente nele, mesmo que esteja a décadas gastando mais do que arrecada.
Enquanto a população for apenas um cordeiro que aceita calado as decisões políticas, o governo saberá que pode continuar mudando as regras do jogo num estalar de dedos sem sofrer consequências.
O que fazer para se proteger nesse cenário?
O Brasil está quebrado? Ainda não, mas os indicadores demonstram que está piorando para as pessoas, apertando o cerco e cada vez mais difícil para a população viver aqui.
Quem que me protege disso tudo? Investimentos que não dependam de uma única economia, que não dependam de uma única estratégia. Trata-se de investir em ativos diversificados que protejam seu dinheiro em qualquer cenário econômico, sem depender de apostar numa previsão sobre o futuro.
Você não deve apostar 100% em bolsa brasileira ou bolsa estrangeira porque ninguém sabe exatamente o que vai acontecer com os juros, câmbio, inflação, eleição. São apenas previsões a partir do passado para tentar adivinhar o futuro mas o futuro é imprevisível, até profissionais erram e muito nas previsões de mercado.
Diversificação é a única forma de lidar com as incertezas porque pode ser que nós teremos um governo “Dilma 2” em 2027, ou pode ser que nós vamos ter uma nova matriz econômica caso tenha uma mudança nas eleições, o que faria todas as previsões atuais irem por água abaixo e o país melhorar.
Mas eu não sei o que vai acontecer e nem você, por isso que um investidor, uma pessoa que cuida bem das finanças pessoais, ele sabe navegar o barco dele independentemente dos ventos que sopram.
Como proteger seu patrimônio em tempos de crise
Primeira coisa: Mantenha uma parte do patrimônio em renda fixa atrelada a taxa flutuante dos juros do país, no caso a taxa SELIC, e também uma parte atrelada ao IPCA+, a inflação do país, e outra parte em títulos Pré-fixados que tenham boas taxas de retorno de médio prazo.
Só evite deixar seu dinheiro preso num investimento ruim para o longo prazo. Em cenários reais de juros altos, o custo de permanecer num investimento medíocre, ruim, como COEs é extremamente alto. Você não vai apenas ter rentabilidade negativa que perde para a inflação, mas você também terá problemas de liquidez caso precise sacar parte do valor investido.
Acontece que uma das coisas mais importantes em épocas de incertezas é ter as contas pessoais da família em ordem, viver no padrão de vida correto onde sobra dinheiro. Não existe uma família que consegue sobreviver a crises estando endividada, se você tem dívidas saiba que durante uma crise essa dívida será ainda pior.
Primeira coisa você foca em arrumar seu padrão de vida para sobrar dinheiro todo mês, e na sequência focar em construir seu fundo de emergência para te proteger dos altos e baixos que podem acontecer. Por isso o patrimônio precisa ter liquidez e flexibilidade para você poder utilizá-lo em momentos de crise sem ter perdas financeiras.
Segunda coisa: Lembre-se que existem empresas centenárias que já passaram por momentos muito piores na bolsa de valores e estão sendo vendidas com valor descontado. Elas saem desses cenários de crise muito mais fortalecidas, por isso há sim grandes oportunidades na bolsa brasileira para você investir.
Você tem que analisar o quanto que uma empresa depende desses indicadores atuais do Brasil melhorarem. Fundos imobiliários é necessário analisar a mesma coisa, tem muitos FIIs bons que não vão quebrar por conta disso aqui e ainda por cima estão descontados.
Terceira coisa é ter uma parte do patrimônio em moeda forte. O dólar está num preço muito bom no meu entendimento porque nossa moeda desvaloriza muito mais rápido do que o dólar desvaloriza, isso faz com que o dólar vá para cima.
E você consegue investir em ativos dolarizados diretamente no Brasil com BDRs de empresas do mercado norteamericano, e ETFs vendidos na bolsa brasileira. E caso você tenha um patrimônio maior, você pode diversificá-lo investindo em ativos internacionais diretamente numa corretora em dólar porque se o Brasil de fato quebrar, parte do seu patrimônio estará protegido.
Como diversificar seu patrimônio para diferentes cenários
Mas você não deve investir 100% fora do Brasil porque por um lado você pagará taxas elevadas para por o dinheiro num lugar que o dinheiro vai render provavelmente muito pouco.
E acontece que se por um lado temos muito risco, nós também temos muitas oportunidades no Brasil. Portanto se o ciclo da economia brasileira mudar e as previsões negativas darem espaço para o otimismo, você estaria com todo o dinheiro lá fora e as coisas vão crescer aqui e você não vai aproveitar nada.
Por exemplo, eu nunca investi em Fundos Imobiliários no preço que está agora, se você souber selecionar bons FIIs para não quebrar você vai ganhar muito dinheiro, com as ações a mesma coisa.
Fica mais difícil montar uma carteira nesse cenário, mas uma carteira bem estruturada dá para ganhar muito dinheiro. Ou seja, você precisa montar uma carteira que sobreviva mesmo que sua previsão esteja errada.
Por isso comentei acima sobre os três ativos principais para ter uma carteira balanceada: uma parte em bolsa brasileira e fundos imobiliários, outra parte em ativos dolarizados e uma parte em renda fixa.
Quando você tem seu dinheiro nesses três ativos, independentemente do cenário essa carteira irá proteger o seu dinheiro. Você pode planejar suas atitudes em relação aos seus investimentos.
A partir de 2027 você não é obrigado a ter uma década ruim junto com o Brasil, como aconteceu em 2015. O país pode ter problemas mas uma carteira bem construída pode proteger seu patrimônio e aproveitar oportunidades, mesmo que outras pessoas estejam perdendo dinheiro.
Proteção patrimonial não é fugir de um país e nem apostar em outro. Trata-se de diversificar, manter a liquidez e evitar investimentos ruins que serão difíceis de sair deles.
Eu torço com você que 2027 seja um ano incrível para o Brasil mas por enquanto os sinais não estão demonstrando isso. Espero que estejamos enganados.


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