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O Brasil Está Vivendo Como uma Família Endividada

A analogia mais simples que podemos fazer para entender a situação do país é comparar o Brasil com uma família:

Imagine uma família que tem renda de 10 mil reais por mês. Essa família tem uma dívida que é 80% da renda anual. Então se essa família recebe 10 mil por mês, ela tem 120 mil de renda anual, o que dá aproximadamente 100 mil reais de dívida.

Essa dívida gera um juros anual, que gira em torno de 15% a.a., então se uma família tem 100k de dívida e paga 15% a.a. de juros dessa divida, ela paga mais ou menos 15 mil reais de juros por ano. Ou seja, são aproximadamente 1200 reais por mês sendo pago de juros.

Veja bem, essa família ganha 10 mil reais por mês e 1200 reais ela usa para pagar juros, que é 12% de comprometimento da renda familiar. E o resto?

Os 8800 reais que sobraram é para sobreviver. O que significa que essa família não está reduzindo essa dívida. Ela continua com uma dívida de 100 mil reais, pagando 1200 reais por mês de juros, mas ela só paga os juros, ela não consegue pagar parte dessa dívida, parte do principal para reduzir para 90k, 80k.

Como uma família endividada aumenta ainda mais suas dívidas

Nada disso acontece, a dívida continua em 100k, ela só está rolando a dívida para frente pagando juros. Vamos piorar um pouco: Os 8800 que ela tem para sobreviver não são o suficiente, ela gasta em torno de uns 9500 por mês de despesas. E da onde vem a diferença?

Se 8800 já não é suficiente para sobreviver porque falta 700 reais para fechar as contas, todos os meses essa família terá que aumentar seu empréstimo em 700 reais. Ela abre o mês com 100k de dívidas, no outro mês estará com acréscimo de 700 reais, depois 1400 reais e assim vai durante o ano todo.

Quando chegar em dezembro, a dívida aumento para 115k, 120k reais. Se essa dívida aumenta nessa proporção, significa que essa família continua só pagando os juros da dívida, e os juros já estava em 1200 reais por mês.

Agora ela terá que pagar 1300, 1400 reais de juros, mas o problema é que essa família já não conseguia viver com o que sobrava, então no próximo ano ela vai ter que fazer dívidas mais rápido ainda para conseguir se manter.

A dívida pública brasileira funciona como uma família endividada

Isso que eu descrevi para vocês acima é exatamente o retrato do governo brasileiro. O Brasil ganha um tanto, 80% do que ele arrecada no ano é dívida, 15% mais ou menos do que ele arrecada ele usa para pagar os juros da dívida, e ele gasta mais do que arrecada.

Os mesmos princípios de economia que funcionam na sua casa, que funcionam na sua empresa, também funcionam para o governo brasileiro. As pessoas tem mecanismos diferentes, tem créditos diferentes, ferramentas diferentes, mas os princípios são iguais.

O Brasil é exatamente essa família que eu descrevi para você. Se fosse a sua família nessa situação, o que você faria?

Você só teria três saídas nessa situação no meu entendimento:

Uma opção você poderia renegociar com o banco. Mas se o banco tá vendo que você não consegue quitar a dívida, você só tá pagando os juros, e ainda você precisa renovar o empréstimo, aumentar ele todos os meses porque você não tá conseguindo nem pagar a dívida, nem sobreviver com o que sobra.

Você acha que o banco vai te dar um empréstimo com juros menor? Ele tá vendo sua situação e pensando: “Cara, esse bicho tá se enforcando cada vez mais, vai chegar uma hora que ele vai me dar calote“.

Então se eu cobrava 15% a.a. pelo empréstimo, agora eu quero cobrar 16, 17, 18% e cada vez fica mais difícil de você pagar a dívida. Esse juros a mais em cada renovação da dívida vai aumentar o custo dela, aumentar o comprometimento da renda.

Quem financia a dívida do Brasil

É exatamente o que está acontecendo com o Brasil, quem é o banco que financia o Brasil? Os investidores brasileiros e estrangeiros, as empresas que compram títulos do Tesouro Selic, IPCA+.

Nós que estamos emprestando dinheiro para o Brasil, somos o banco que financia os gastos estatais. E cada vez esse mercado está exigindo juros mais altos porque está vendo que o Brasil é essa família falida que falei acima, essa é a situação do Brasil.

Segunda saída seria ganhar mais dinheiro. Se a família ganha 10 mil por mês e não é o suficiente, se eles conseguem trabalhar para ganhar 11, 12 mil reais por mês, ter esse aumento de 1k, 2k por mês.

Isso já dá uma folga, de repente dá para sobreviver e começar a pagar um poquinho da dívida. Infelizmente é o que o governo está tentando fazer, só que o governo diferente de uma família ele não produz nada, ele apenas confisca uma parte do que nós produzimos.

O aumento de impostos para aumentar a arrecadação

A única forma do governo ganhar mais dinheiro é arrrecadar mais impostos, cobrar mais dos contribuintes. Ele é um sócio que chega para você todo mês e diz: :40%, 45% do que você produz é meu, passa para cá”.

O governo vive às custas do seu trabalho como um parasita, e nem isso está sendo suficiente. Por isso ele cria novas formas de impostos para te cobrar mais aqui, ali, lá, tudo para tentar fechar a conta.

O problema é que se ele pega uma parte muito grande do que nós trabalhadores estamos produzindo, chega uma hora que trabalhar se torna insustentável.

Se eu tenho uma empresa e vendo um produto por 10 reais e pago 4 reais pro governo, 5 reais é custo e me sobra margem de 1 real para colocar no bolso. Se o governo me cobra 5 reais, não compensa mais eu trabalhar porque não está sobrando nada.

Aí eu vou fazer o quê? Se o governo acabou com a margem de lucro do meu produto, eu paro de vender isso, ou eu cobro 11 reais agora para manter 1 real de lucro.

A curva de Laffer e o impacto dos impostos na economia

Mas se já tá todo mundo ferrado, 80% das famílias endividadas com a corda no pescoço, ninguém mais consegue pagar os juros porque estão cada vez mais altos por conta do que eu já expliquei, que é o fato dos juros do governo ser a referência dos juros dos bancos.

Então se tá difícil eu vender por 10 reais meu produto, eu não vou vender por 11 reais. Mas eu só posso vender se aumentar o preço porque agora o governo quer 5 reais, sendo que antes queria 4 reais, então não vou vender mais.

E o cara que trabalha comigo? Meu amigo você está despedido porque meu negócio não dá mais lucro, nós falimos. Isso que eu tô te falando chama-se curva de Laffer.

A curva de Laffer mostra o ponto máximo que o governo consegue cobrar de impostos. A partir daquele ponto, ele afoga os negócios e eles começam a deixar de existir.

Vários estudos mostram que nós já ultrapassamos o pico da curva de Laffer, e já estamos destruindo a economia. Mas ainda assim o Brasil quer aumento de salário para poder fechar a conta.

Cortar gastos para reduzir a dívida pública

E sobra um último ponto que é cortar gastos. Se essa família ganha 10 mil por mês, paga 1200 de juros, sobra 8800 e esse dinheiro não fecha a conta no final do mês, e ela não consegue nem aumentar o salário, nem cortar os juros, ela vai cortar o que?

Não dá para viver com o que sobra, então ela vai ter que cortar gastos com alimentação fora de casa, viagens frequentes, vai esbanjar menos dinheiro e começar a viver com 8 mil por mês.

Vivendo com 8 mil reais, ela consegue pagar os juros, consegue amortizar um pedacinho das dívidas, e o banco começa a olhar e falar: “Parece que estão colocando a casa em ordem, nós não precisamos subir muito os juros agora“.

Isso é o Brasil, se gastasse um pouco menos, se tivesse um pouco mais de responsabilidade, o mercado investidor vê que agora o país está gastando menos do que recebe, está conseguindo diminuir um pouco da dívida, então agora eu posso cobrar um pouco menos de juros para emprestar dinheiro.

Alivia os juros, sobra mais dinheiro ainda no caixa. Existe algum sinal de que o Brasil está fazendo isso? Nem um pouco, a única coisa que eles estão tentando fazer é ganhar mais dinheiro, e a curva de Laffer matando mais a economia.

Inflação, emissão de dinheiro e perda do poder de compra

A única coisa que podemos concluir é que o Brasil gasta mais do que arrecada e que os juros da dívida ficam cada vez mais caros, fazendo sobrar ainda menos dinheiro no caixa e acelerando o crescimento da dívida pública brasileira.

E ele precisa imprimir mais dinheiro para isso, só que quanto mais dinheiro o país imprime, mais inflação existe. E quem vai sofrer são os mais pobres, com serviços públicos cada vez mais sucateados, e terão ainda menos condições de pagar por serviços privados de melhor qualidade.

Você é quem paga a conta no final com pior educação, saúde, segurança, e além de tudo não terá dinheiro para pagar por fora. Vai viver na miséria total, a menos que entenda a proteger seu patrimônio através de adquirir educação financeira.

Pensa comigo: uma moeda de um país que precisa de uma muleta permanente chamada taxa Selic, é uma moeda saudável?

Com certeza não, aí chega aquele momento que ninguém te conta: Quem só vive de salário perde nesse jogo todo mês sem exceção. Enquanto ele está ali parado esperando o dia de pagar as contas, ele vale cada vez menos.

Quem tem apenas o salário em Real assume a perda inteira pela inflação, pela desvalorização da moeda e nem percebe que foi assaltado silenciosamente.

Como proteger o patrimônio contra a inflação

Como eu me protejo da inflação, de tudo que está acontecendo no Brasil?

Não tendo dinheiro, não tendo reais, não estando exposto aos investimentos calculados pelo índice de inflação oficial – IPCA, que são calculados pelo IBGE, que é do próprio governo.

Você se protege de tudo isso colocando seu dinheiro na economia real: Ações no Brasil e exterior, fundos imobiliários, ativos reais como imóveis, Ouro. A renda variável que é segura porque renda fixa é dívida e você pode tomar um calote, como do governo brasileiro.

Somente essa pessoa está protegida porque o preço desses ativos sobe junto com a inflação. O sujeito com patrimônio atravessa essa dificuldade, essa diluição da moeda sem sentir muito peso.

Agora o sujeito que está atravessando esse momento só com o salário que tem em mãos, ele está sobrevivendo o mês fazendo malabarismo. Por isso que o pobre continua pobre mesmo que trabalhe igual um condenado.

Endividamento, desigualdade social e perda de poder de compra

A classe média está sumindo, a discrepância entre as classes sociais está aumentando, ou seja, a desigualdade social está aumentando no Brasil.

Não é à toa que dados recentes da Serasa mostram que as pessoas estão se endividando no cartão de crédito para parcelar as compras do supermercado, entrar em dívidas para comprar itens básicos.

Por exemplo, o iFood viu que as pessoas estavam diminuindo o consumo dentro da plataforma, e lançou sua própria financeira para parcelar compras acima de 50 reais em até 6 vezes.

E as pessoas estão parcelando pizza no iFood, e ele em 2 meses teve 2 bilhões em créditos concedidos dentro do app. Esse é o nível de empobrecimento do brasileiro médio, não tem dinheiro para comprar uma pizza.

É justamente essa situação que faz o brasileiro estar endividado até o pescoço, por conta desse mecanismo que cria dinheiro do nada e faz você pagar a conta trabalhando mais para ganhar menos.

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