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Como o país está crescendo tanto?

Temos indicadores econômicos saudáveis ou é apenas narrativa política?

Numa economia temos indicadores que são rápidos para antecipar uma crise e outros que demoram para os números estarem de acordo com a realidade.

Por exemplo, a taxa Selic está muito alta porque é um indicador rápido, uma resposta direta à inflação. Ela pode subir mesmo quando a economia está indo bem, porque projeta uma inflação maior no médio prazo.

Temos a impressão que a economia brasileira está indo bem porque existem indicadores atrasados que o governo utiliza para dizer que as coisas estão sob controle.

Porém números não tem partido político e não mentem. Você pode não ver os números, pode tentar passar pano pro seu político de estimação, mas os números superam qualquer narrativa.

A narrativa cai quando a conta do supermercado chega, a inflação chega, a taxa de juros chega. Vamos explicar agora por que determinados indicadores podem transmitir uma sensação de normalidade mesmo quando existem problemas sendo acumulados.

O desemprego demora para mostrar a crise

Uma empresa que está vendendo menos e tendo menos dinheiro em caixa não demite seus funcionários no mês seguinte. Ela pode esperar de 1 a 3 anos, porque demitir no Brasil é caro.

Se uma empresa tem vendas baixas durante um semestre e depois continua vendo suas vendas caírem por mais dois semestres, o que você faria como empresário? Demitiria todo mundo?

Não. Você reduziria a linha de produção, diminuiria as horas de trabalho, cortaria horas extras e tentaria pegar um empréstimo ou uma nova linha de crédito. O empresário costuma ser otimista e espera o máximo possível, porque demitir é caro.

Os empresários seguram as demissões pelo maior tempo possível. Em 2014, o desemprego estava em 5%, em 2015 foi para 8% e em 2016 chegou a 12%.

Nesses dois anos tivemos a maior recessão da história do Brasil, e não é muito diferente do que está acontecendo agora. O desemprego demora para aparecer porque os empregadores ainda não começaram a demitir.

Outro indicador atrasado é a queda da renda. A renda aumenta acompanhando a inflação ou um pouco acima dela. Você não consegue reduzir a renda de um funcionário de uma hora para outra.

Somente demissões em massa fazem o desemprego aumentar e a renda cair. Por isso a renda também é um indicador atrasado.

O PIB e o consumo também demoram para reagir

O mesmo acontece com o PIB. Ele demora para cair porque representa toda a produção de bens e serviços durante um ano e inclui os gastos do governo e o consumo das pessoas, mesmo quando elas estão endividadas.

Um gasto artificial também entra como consumo, produção ou serviço e demora para desaparecer. A economia pode estar ruim, mas se o governo injeta dinheiro, tudo isso entra no PIB.

O PIB ainda parece estar mais ou menos bem, com uma perspectiva de 2% em 2026. Mas o que acontecerá em 2027 se a mesma tendência continuar? O PIB demora mais para mostrar o problema, mas ele aparece.

O consumo também demora para cair porque o governo pode incentivar o consumo e liberar crédito. As pessoas só param de consumir quando não existe mais crédito disponível e estão excessivamente endividadas.

Todos os indicadores acima são indicadores atrasados. Quem olha apenas para eles pensa que a economia está bem: PIB de 2%, baixo desemprego, renda alta e consumo.

O atual cenário dos indicadores brasileiros, entre os indicadores adiantados, como juros e dívida, e os indicadores atrasados, como desemprego e PIB, é semelhante ao que aconteceu em 2014, antes da crise do governo Dilma.

Alguns números estão piores do que estavam em 2014. Por isso existe uma discussão sobre uma possível crise em 2027 e 2028, com a possibilidade de repetirmos algo parecido com o que aconteceu em 2015 e 2016.

A situação fiscal do Brasil

A dívida do governo está crescendo como uma bola de neve. Cerca de 90% dos gastos da máquina pública são obrigatórios, como INSS, funcionários públicos e repasses a estados e municípios.

A previsão é que o dinheiro comece a faltar a partir de 2027. Existe pouco espaço para cortar gastos e, quando isso acontecer, o governo poderá cortar justamente os setores mais frágeis: educação, saúde, segurança, infraestrutura, transporte e saneamento.

O governo vai pagar suas obrigações e não sobrará dinheiro para fazer muita coisa além disso. Por isso existe a expectativa de uma bomba fiscal em 2027.

País e família têm as mesmas finanças. Um país pode levar mais tempo para quebrar por causa do seu tamanho, mas se gastar mais do que arrecada, acumular dívidas e viver para pagar juros e rolar a dívida, a situação também se torna insustentável.

O Brasil nunca arrecadou tanto em impostos como agora com uma carga tributária de 32,40% do PIB, mas continua gastando mais do que arrecada. Precisa emitir dinheiro e tomar empréstimos, e a moeda perde poder de compra por meio da inflação.

Se o Brasil não mudar a forma como lida com o dinheiro, economizar, cortar gastos e tomar medidas impopulares, a situação vai piorar. Quando digo que o Brasil vai quebrar, estou falando da população, porque ricos e pobres pagam as contas do governo.

O peso da dívida pública e dos juros

A inflação alta aumenta o custo da dívida pública. Os investidores passam a exigir um prêmio de risco maior para emprestar dinheiro para uma economia frágil, em comparação com os títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

A dívida pública está em 82% do PIB e continua crescendo. Isso representa quase tudo o que o Brasil deve em relação ao que produz em um ano. Em breve poderemos produzir menos de R$ 10 trilhões e ter uma dívida ainda maior.

Não adianta argumentar que Estados Unidos, Japão e Itália devem mais. Esses países possuem dívidas com juros baixos, enquanto o Brasil possui uma taxa média de aproximadamente 10% ao ano. Pagamos cerca de R$ 1 trilhão em juros para rolar a dívida, criando um ciclo vicioso.

Outro indicador ruim é a taxa de juros alta. Ela é ruim para a economia, para as empresas e para praticamente tudo, com exceção de quem consegue poupar que não precisa fazer nada e tem uma rentabilidade absurda. A maior parte das pessoas precisa trabalhar para sobreviver e pagar as contas.

Outro indicador antecedente é a queda dos investimentos. Se não existe dinheiro para pagar as contas, o governo deixa de investir em educação, saúde, segurança, infraestrutura e outros serviços, e isso pode ser observado em diversas regiões do país.

Então, se você analisar um pouco para frente e entender os indicadores agora, verá que as coisas estão extremamente complicadas.

Os indicadores realmente mostram uma economia saudável?

O PIB está crescendo 2% e o desemprego está no menor nível da série histórica, mas as empresas tiveram recorde de inadimplência e recuperação judicial em 2024. Os números não mentem, vamos trabalhar com fatos e não narrativas.

Tivemos o maior aumento nos pedidos de seguro-desemprego em 2024, a cesta básica subindo, recorde de retomada de imóveis pela Caixa, 54,3 milhões de pessoas no Bolsa Família e a dívida pública ultrapassando R$ 10 trilhões pela primeira vez.

O PIB pode enganar você, então cuide da sua vida, pois o Estado não vai cuidar dela. Temos mais pessoas no Bolsa Família do que a população registrada em vários estados brasileiros e nunca tivemos uma inflação tão alta em fevereiro como em 2025.

Em 2024, tivemos R$ 400 bilhões em programas sociais que entraram no PIB. Se retirássemos esse valor, o PIB real seria 0,9% menor.

A verdade é que, assim como chega a fatura para quem utiliza crédito, o aumento da dívida pública também precisará ser pago algum dia.

O impacto da economia nas famílias

A desvalorização da moeda afeta a todos, principalmente as famílias de menor renda, que gastam praticamente tudo o que recebem com itens básicos de sobrevivência e não conseguem investir para se proteger da inflação.

Não é justo um país rico em recursos ter uma população mediana ou miserável. Culturalmente, somos explorados por aqueles que estão no poder, mas também existe nossa responsabilidade por não escolhermos melhor quem colocamos em Brasília.

A população mais pobre recebe miséria e paga impostos altos sobre o consumo. A cesta básica, as contas de luz e outros produtos e serviços aumentam. Tudo fica mais caro com a inflação.

Temos 82% das famílias endividadas e aproximadamente metade dos adultos com o nome sujo, cerca de 75 milhões de pessoas em situação de inadimplência.

O governo não vai cuidar da sua vida

Não conte com o governo para cuidar da sua vida. O governo só ajuda os bancos, não existe nenhuma decisão do governo pensando em melhorar a sua vida.

O empréstimo consignado CLT foi criado para deixar as pessoas felizes no curto prazo, mas beneficia os bancos, que podem endividar as pessoas utilizando até mesmo o próprio FGTS.

Só no Brasil vemos a falta de conhecimento sobre educação financeira e uma narrativa de que a inflação está controlada e que estamos vivendo uma época de prosperidade.

A inflação do supermercado continuará sendo muito maior para muitas famílias do que o IPCA, porque o IPCA é uma média e não representa a inflação pessoal de cada pessoa. Você simplesmente compra menos comida com o mesmo dinheiro.

A cada ano você fica mais pobre porque seu salário não acompanha a inflação e você precisa recorrer a parcelamentos e dívidas.

O brasileiro está ficando cada vez mais endividado

Imagine que você compre uma geladeira em 24 parcelas de R$ 100. Isso significa que você terá R$ 100 a menos todos os meses para pagar suas outras contas.

Você precisa sair das dívidas o mais rápido possível porque a cada ano vai ficar mais difícil. O primeiro passo é parar de cavar o buraco.

8 em cada 10 brasileiros possuem alguma dívida e 2 em cada 10 pessoas que saíram do cadastro de inadimplentes voltam a ficar negativadas dentro de um ano.

Muitos aposentados não conseguem parar de trabalhar porque estão presos a empréstimos consignados que consomem metade do salário.

Um aposentado endividado precisa continuar trabalhando, e o futuro aposentado ainda pode enfrentar uma reforma da Previdência para conseguir se aposentar aos 78 anos.

“Se você acha que educação é caro, é porque você não sabe qual é o preço pago pela ignorância.”

E quanto a taxação do Trump?

Estados Unidos e os maiores credores americanos, como China, Japão e Inglaterra, possuem interesses relacionados ao dólar e aos títulos do Tesouro americano. Uma desvalorização do dólar também afeta a reserva de valor desses países.

Ninguém sabe o que Trump quer com as tarifas e também não sabemos o que Lula fará. Você não tem controle sobre isso. Você tem controle sobre seu salário, seus gastos, suas dívidas e seus investimentos.

Não tente prever o mercado financeiro, siga sua estratégia de investimentos. O risco é trabalhar durante 35 anos e depender do governo. Deixe aquilo que você não controla para os outros e cuide do que está sob seu controle.

Você controla apenas a sua vida. Pare de ser massa de manobra e dedique-se a dar dignidade para sua família.

Existem fatores externos que você não controla. Aprenda sobre dinheiro, porque aquilo que você não conhece acaba controlando você.

“Quem gasta dinheiro com as pequenas coisas nunca terá dinheiro para realizar as grandes coisas. É sua educação de colocar em prática seu conhecimento de finanças que faz a diferença.”

Há salvação?

Existe uma grande diferença entre a economia de um país e a sua economia individual. Se você possui educação financeira, conhece as regras e faz os investimentos corretos, sua vida pode crescer mesmo durante a pior recessão.

“O que define para onde você vai na vida não são os ventos, mas sim a direção da sua vela.”

Se você posicionar corretamente as suas velas, poderá chegar onde deseja. São as suas decisões pessoais, sua educação e suas escolhas que determinam isso.

Seus resultados estão ligados à sua educação, ao seu comportamento e à sua mentalidade. A dificuldade no Brasil é que existe pouca educação financeira.

“Convém manter as pessoas ignorantes, serem analfabetas funcionais”. Temos pessoas sem conhecimento suficiente, que não conseguem calcular nem juros básicos. Como elas saberão que estão sendo exploradas?

Você paga impostos e taxas sem saber exatamente quanto está pagando. O primeiro passo é assumir o controle. Se você não conhece as regras, fica à mercê da economia e dos ventos, e sua família pode acabar indo ladeira abaixo.

Você precisa aprender a administrar seu dinheiro, mudar, investir corretamente e ajustar seu padrão de vida. Se continuar ignorante financeiramente, poderá quebrar no Brasil.

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