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Segurança do Bitcoin

A carteira pessoal (wallet) utiliza criptografia baseada em blockchain, recursos avançados de segurança e autenticação em duas etapas para permitir o acesso à sua carteira digital de Bitcoins e realizar transações. Vou exemplificar a seguir.

A Blockchain nada mais é do que um grande livro contábil que registra todas as transações: quem passou para quem, quem recebeu de quem etc. Esses blocos de informações ficam armazenados e os computadores espalhados pelo mundo validam cada registro.

A cada 10 minutos, a rede reúne as transferências de Bitcoin em um novo bloco, permitindo que os participantes mantenham suas cópias da blockchain atualizadas e preservem a confiança na moeda digital, controlada pela própria rede de usuários, sem intermediários.

Ou seja, a cada 10 minutos, a rede transmite um novo bloco de transações e os participantes atualizam suas cópias da blockchain, garantindo a segurança dos Bitcoins armazenados em suas wallets.

Dessa forma, ninguém pode simplesmente apagar informações, copiar, duplicar Bitcoins ou retirar moedas da sua wallet, e você não precisa da permissão de nenhum intermediário, como governo, banco ou organização, para utilizar seus Bitcoins.

Bitcoin e o sistema de transações P2P

Por isso, o criador do Bitcoin, que utiliza o pseudônimo de Satoshi Nakamoto, colocou no White Paper o título:

  • “Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System”, ou “Bitcoin: um sistema de dinheiro eletrônico entre pares”.

Assim, você faz transações P2P, que significa “ponto a ponto” ou “pessoa para pessoa”, sem precisar confiar em um intermediário para validar todas as transações do ponto A ao ponto B.

O Bitcoin surgiu no contexto da crise do subprime em 2008, quando ocorreu a falência de empresas do setor imobiliário nos Estados Unidos. Elas receberam calote de clientes que não conseguiam pagar seus empréstimos e tiveram que devolver os imóveis, causando a queda do preço dos imóveis e prejuízos bilionários aos credores.

O governo dos Estados Unidos e o Federal Reserve adotaram medidas de emergência para salvar várias dessas empresas, incluindo bancos, injetando dólares sem freio no sistema financeiro e contribuindo para o aumento da inflação, enquanto o povo, que é sempre o elo mais frágil, sofria com os efeitos dessa recessão histórica.

Então, essa pessoa ou grupo de pessoas chamado Satoshi Nakamoto criou um software de código aberto chamado Bitcoin v0.1, que posteriormente deu origem ao Bitcoin Core, que é público e qualquer pessoa pode copiar desde 2009.

Satoshi Nakamoto distribuía o software inicialmente em fóruns cyberpunk, frequentados por pessoas que defendiam a proteção da privacidade contra entidades externas por meio da criptografia.

Acreditando na ideia, essas pessoas começaram a criar a comunidade do Bitcoin, rodando o software para minerar blocos de Bitcoins. Nos primeiros anos, você recebia 50 Bitcoins quando conseguia minerar um bloco, e foi assim durante os primeiros quatro anos, de 2009 a 2012.

O crescimento e a descentralização da rede Bitcoin

Com o tempo, a rede Bitcoin se popularizou e cresceu para milhares de Nodes espalhados pelo mundo. Como nem todos os Nodes são publicamente acessíveis, pois alguns operam por meio da rede Tor, é difícil determinar o número exato de computadores que participam da rede.

Na rede Bitcoin, cada usuário atua como cliente e como servidor, permitindo a troca de dados de forma descentralizada. Assim, temos mais liberdade e segurança nas negociações com Bitcoin, enquanto cada transação é irreversível e reduz a possibilidade de fraudes bancárias.

Os computadores da rede verificam as informações do sistema para confirmar se estão corretas, analisando as entradas e saídas, o fluxo de valores dentro da rede Bitcoin e quais valores você recebeu ou transferiu para outra pessoa, além do saldo disponível atualmente na sua wallet.

O que vale é o consenso entre os participantes da rede, que verificam se as transações seguem as regras do protocolo. Assim, os Nodes conseguem identificar se alguém está tentando gastar os mesmos Bitcoins mais de uma vez ou movimentar valores sem autorização.

As chaves e a segurança das transações

Assim, para garantir que cada operação seja única, evitar falsificações e confirmar a validade das transações, a rede utiliza duas chaves, dois códigos ou duas senhas no processo de criptografia de cada operação.

Uma chave é pública e pode ser compartilhada. A partir dela são derivados dados utilizados para criar endereços Bitcoin, que você pode compartilhar com outras pessoas para receber Bitcoins. A wallet, por sua vez, é responsável por gerenciar suas chaves e permitir que você realize transações.

A outra chave é privada e você deve mantê-la em segredo, sem mostrar essa informação a ninguém. Ela é necessária para realizar uma transação com a sua carteira. Você precisa da chave privada para autorizar uma movimentação dos Bitcoins.

Com as duas chaves, a pública e a privada, você consegue transmitir a transação para os nós da rede Bitcoin, que então registram a operação na blockchain, o livro contábil distribuído que os participantes da rede mantêm.

Os computadores da rede verificam se as transações são válidas e se os Bitcoins utilizados ainda estão disponíveis para novas transações. A Proof of Work, por sua vez, ajuda a estabelecer a ordem dos blocos e torna extremamente difícil alterar o histórico da blockchain.

Por que é tão difícil alterar a blockchain?

Se alguém quiser forjar um Bitcoin ou alterar as informações das transferências, terá que modificar os registros de uma parcela significativa da rede, o que exige um enorme poder computacional.

Como cada novo registro fica ligado aos anteriores e a rede exige a prova de trabalho, seria necessário refazer todos os cálculos dos registros seguintes. Isso exige um poder de computação absurdo e praticamente impede que alguém consiga controlar ou alterar a blockchain do Bitcoin.

Para implementar uma mudança significativa no protocolo, os participantes da rede precisam adotar as novas regras. Dependendo do tipo de alteração, diferentes mecanismos de ativação podem ser utilizados para coordenar essa mudança.

Os Nodes que adotarem as novas regras passam a validar os blocos de acordo com elas. Já os Nodes que continuarem utilizando as regras antigas podem interpretar os mesmos blocos e chegar a conclusões diferentes:

  • Um Node atualizado pode aceitar um bloco que um Node antigo rejeita, ou
  • um Node atualizado pode rejeitar um bloco que um Node antigo aceita.

Se as regras permanecerem compatíveis, a rede pode continuar funcionando normalmente. Porém, quando uma mudança é incompatível e não existe consenso entre os participantes, pode ocorrer uma divisão da blockchain, conhecida como fork.

Como as atualizações do Bitcoin acontecem?

Elas são propostas através das BIPs — Bitcoin Improvement Proposals, que são propostas de melhoria do protocolo Bitcoin, apresentadas em documentos que permitem à comunidade discutir e avaliar possíveis mudanças na rede.

Podemos pensar nelas como formas organizadas de propor melhorias no Bitcoin, permitindo que os participantes da rede avaliem e adotem novas regras de maneira compatível entre os Nodes.

Por exemplo, existe uma preocupação de parte da comunidade de que novas tecnologias, como a computação quântica, possam futuramente ameaçar os sistemas criptográficos utilizados pelo Bitcoin.

Pensando nisso, novas BIPs podem ser propostas para aumentar a segurança do Bitcoin diante das tecnologias que surgem ao longo do tempo. Porém, uma BIP não entra automaticamente em vigor apenas porque foi publicada: sua implementação depende da adoção e da coordenação dos participantes da rede.

Um exemplo recente é a BIP-110, uma proposta para restringir determinados tipos de dados não financeiros no Bitcoin, reduzindo o uso da blockchain para armazenar dados arbitrários. A proposta gerou forte discussão na comunidade e teve pouco apoio entre os mineradores.

O caso da BIP-110 mostra o que pode acontecer quando não existe consenso sobre uma mudança. Os participantes que adotaram as novas regras passaram a rejeitar determinados blocos aceitos pela rede principal, criando uma divisão entre as duas cadeias.

Esse tipo de situação pode levar a um hard fork, quando grupos passam a seguir regras diferentes e a rede se divide. Foi algo semelhante ao que aconteceu com o Bitcoin Cash, criado em 2017 após uma divergência sobre as regras do Bitcoin.

Dessa forma, as BIPs permitem propor e discutir mudanças no Bitcoin, mas nenhuma autoridade pode simplesmente obrigar toda a rede a aceitá-las por decreto. A adoção depende da coordenação entre os participantes e do consenso sobre as novas regras.

Bitcoin versus outras criptomoedas

É diferente de outros protocolos de altcoins que, na visão apresentada neste artigo, funcionam como “empresas disfarçadas”, pois mantêm seus protocolos e códigos hospedados em datacenters, concentrando a infraestrutura em vez de distribuí-la de forma verdadeiramente descentralizada.

Muitas vezes, essas empresas possuem CEO, fazem propaganda nas redes sociais e contam com investidores iniciais para fazer a moeda circular, além de poderem realizar mudanças arbitrárias sem que os usuários saibam antecipadamente.

Elas afirmam que seus algoritmos são mais rápidos e melhores que o Bitcoin e até fazem parcerias com empresas e bancos centrais para se promover e devolver dinheiro aos primeiros investidores.

Por isso, muitas dessas altcoins não passam de shitcoins, projetos altamente especulativos que podem levar investidores a perder grande parte ou até todo o dinheiro aplicado no mercado cripto.

Detalhes sobre o código-fonte do Bitcoin

Um detalhe importante sobre essa parte da blockchain do Bitcoin é que você pode ter uma cópia do banco de dados por meio do Bitcoin Core, um software cliente utilizado para acessar a rede Bitcoin.

Você pode executar um full node da rede Bitcoin, porque seu computador baixa e valida os blocos, verifica as transações e permanece conectado à rede. A carteira permite o envio e recebimento de Bitcoins, mas não facilita a mineração dos blocos caso o seu computador seja simples.

Um full node pode funcionar de diferentes formas. O archival node mantém toda a blockchain armazenada, enquanto o pruned node também baixa e valida os blocos, mas descarta dados antigos depois que eles são validados, reduzindo significativamente o espaço necessário.

A blockchain completa já ocupa mais de 740 gigabytes, mas isso não impede que usuários comuns executem um Node. Com o modo de poda do Bitcoin Core, você pode participar da validação da rede sem precisar manter toda a blockchain armazenada no computador.

Os Nodes que mantêm uma cópia integral da blockchain ocupam mais espaço de armazenamento, enquanto mineradores e outros participantes contribuem para manter a rede Bitcoin funcionando de forma descentralizada e segura.

O ponto fraco da rede Bitcoin

Esse é atualmente um dos pontos fracos da rede Bitcoin, porque, se os governos quisessem destruir esse sistema, uma das possibilidades seria tentar interromper a infraestrutura de internet e rastrear os Nodes da rede que permanecessem ativos, especialmente os grandes mineradores.

Com isso, os governos poderiam ir atrás dos grandes mineradores para tentar destruir a rede Bitcoin pelo coração da sua infraestrutura.

Isso é algo muito improvável de acontecer, mas representa uma das formas mais extremas de tentar destruir a rede Bitcoin. Por isso, até hoje, o Bitcoin continua firme e forte na ativa.

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